• EBD - Origem

    Fundada em 20 de Julho de 1780, na cidade de Gloucester, na Inglaterra, a Escola Dominical começou em um local onde a desigualdade social e o analfabetismo era a maioria entre a população.

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2026 - 2º Trimestre Lição 11

 

 Lição 11
Jacó: de enganador a homem de honra
14 de junho de 2026


 

TEXTO ÁUREO

“Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.” (Gn 32.28).

 

VERDADE PRÁTICA

Somente Deus pode transformar o caráter e a vida do ser humano.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 32.22-31.

22 — E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque.

23 — E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.

24 — Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um varão, até que a alva subia.

25 — E, vendo que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele.

26 — E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares.

27 — E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.

28 — Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.

29 — E Jacó lhe perguntou e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.

30 — E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.

31 — E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.

 

Objetivos da Lição

I) Enfatizar os aspectos da família de Jacó;

II) Explicar que o desejo de Jacó de retornar à sua casa era divino;

III) Mostrar a passagem de Jacó pelo vau de Jaboque.

 

INTRODUÇÃO

Jacó cresceu em uma família marcada por favoritismos e conflitos: Isaque amava Esaú, e Rebeca, a Jacó. Nesse ambiente, ele aprendeu a enganar para alcançar o que queria. Contudo, ao fugir de casa, começou o processo de transformação que Deus realizaria em sua vida. O homem que enganou passou a ser enganado, e nas lutas e dores foi sendo moldado pelo Senhor. Em Peniel, teve um encontro decisivo com Deus e recebeu um novo nome: Israel. Nesta lição, veremos como Deus mudou seu caráter e fez dele um homem de honra, mostrando que só o Senhor pode transformar a vida humana. A história de Jacó nos ensina que a verdadeira mudança não vem das circunstâncias, mas do encontro pessoal com Deus, que nos faz novas criaturas.

 

 

I. A FAMÍLIA DE JACÓ

1. Um encontro especial.

Jacó encontrou Raquel, filha de Labão, quando ela tentava dar de beber aos rebanhos de seu pai, pois era pastora de ovelhas (Gn 29.10). Ela era a filha mais nova de Labão e tornou-se o grande amor de Jacó. Porém, ele chegou à casa de seu tio sem dinheiro algum. Naquele tempo, era necessário dar ao pais da noiva um dote antes do casamento. Sem recursos financeiros, Jacó fez um acordo com seu tio: Ele trabalharia sem receber nada em troca durante sete anos para ter Raquel como esposa. O acordo de sete anos foi firmado entre o tio e o sobrinho. Jacó trabalhou duro e cumpriu seu acordo, mas Labão usou de engano. Depois de dar um banquete pelo suposto casamento com Raquel, na noite de núpcias, em lugar de entregar Raquel ao genro, pôs Leia ao lado dele (Gn 29.23).

 

2. O enganador é enganado.

Jacó colheu aquilo que ele havia semeado: mentira e engano. Deus nos perdoa, mas também nos disciplina. O princípio espiritual do Senhor permanece o mesmo: “Não erreis [...] tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7; Pv 22.8). Talvez, esse triste acontecimento — ser ludibriado pelo próprio tio — tenha feito Jacó refletir a respeito de seus atos e do mal que causara quando enganou seu pai e seu irmão (cf. cap. 27). Leia era a filha mais velha de Labão, e ele não teve escrúpulos em usá-la para enganar Jacó. O amor de Jacó por Raquel era grande, e seu trabalho era lucrativo para Labão. Jacó não desistiu de sua amada e trabalhou pesado por mais sete anos por ela. Aprendemos que o amor não desiste com facilidade.

 

3. Muitos filhos.

Este triste episódio na vida de Jacó nos mostra que a poligamia era algo comum naquele tempo; no entanto, contrariava e continua contrariando o propósito de Deus para o ser humano — o casamento monogâmico e hétero, um homem e uma mulher (Gn 2.24). Na Nova Aliança, a monogamia é a única forma legítima de casamento (Mt 19.4-6; Mc 10.4-9).

 

A poligamia trouxe consequências terríveis para as famílias, em especial a família de Jacó. Porém, Deus honrou a Jacó e lhe concedeu muitos filhos. Os filhos sempre foram e são “heranças do Senhor”, ou seja, são uma recompensa que Ele nos dá (Sl 127.3).

 

Jacó teve filhos com Leia e com a serva dela. Também teve filhos com Raquel e sua serva. Com Leia, Jacó teve os seguintes filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom (Gn 29.32-35; 30.17-20), totalizando seis filhos e mais uma filha, a quem deu o nome de Diná (Gn 30.21). Com a serva de Leia, Zilpa, teve dois filhos, Gade e Aser (Gn 30.9-13).

 

Com sua amada esposa teve dois filhos. São eles: José e Benjamim (Gn 30.22-24; 35.16-19). Com Bila, serva de Raquel, teve mais dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8). Apesar de seus erros, Jacó foi honrado pelo Senhor, e seus filhos tornaram-se os líderes das doze tribos de Israel.

 

 

SINOPSE I

A predileção de Isaque e Rebeca pelos filhos teve como consequência a disfunção familiar.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“LABÃO

Irmão de Rebeca (Gn 24.29) e pai de Raquel e Leia (29.16). Labão está envolvido no noivado de Rebeca com Isaque (24.29-51), mas ele é mais conhecido pela falsidade e trapaça, especialmente nas relações com o seu sobrinho Jacó (29.1-31.55).

 

Labão é caracterizado por esse tipo de egocentrismo ao longo da narrativa. Ele continuou a enganar Jacó por saber que este era a chave da prosperidade dele. Jacó permaneceu na casa de Labão por vinte anos (Gn 31.41), mas depois fugiu com a sua família e bens. Ele alcançou Jacó no caminho, e os dois fizeram uma aliança (31.43-54).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.298).

 

 

II. JACÓ DESEJA RETORNAR À SUA TERRA

1. Jacó almeja retornar para sua casa.

Depois de trabalhar vários anos para seu tio, Labão, Jacó sentiu o desejo de retornar à sua terra logo após Raquel dar à luz a José. Ele pediu que seu tio o liberasse, juntamente com suas esposas e seus filhos, pelas quais ele trabalhou durante anos (Gn 30.25-27). Mas o trabalho de Jacó era lucrativo para Labão, e tudo indica que a saída de Jacó de sua casa não seria tão fácil. Labão pede que Jacó o continue servindo e faz uma nova proposta ao genro, pois estava vendo seus bens aumentarem com a bênção de Deus sobre o trabalho de Jacó (v.27).

 

2. O acordo entre Labão e Jacó.

Labão não concordou com o pedido de Jacó de ir para a sua terra. Ele pediu que Jacó ficasse ali, pois reconheceu que o Senhor estava abençoando sua vida e sua casa por amor de Jacó (Gn 30.27). Para que Jacó não deixasse sua casa, Labão fez a seguinte proposta: “Determina-me o teu salário, que to darei” (Gn 30.28). Jacó deseja trabalhar para o bem de sua família, e não mais para o enriquecimento de seu tio. Então, ele propôs que todos os animais “salpicados e malhados”, e “todos os morenos entre os cordeiros”, e o que era “malhado e salpicado entre as cabras”, seriam dele. Então, Labão aceita a proposta dizendo: “Tomara que seja conforme a tua palavra” (Gn 30.34).

 

3. Deus manda Jacó retornar à casa de seus pais.

O Senhor prosperou o trabalho das mãos de Jacó. Ele cresceu abundantemente e teve “muitos rebanhos, servos, servas, e camelos e jumentos” (Gn 30.43). Não demorou para os invejosos levantarem-se contra ele. Os filhos de seu tio disseram: “Jacó tem tomado tudo o que era de nosso pai e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória” (Gn 31.1). Uma acusação mentirosa, carregada de inveja e maldade. Seu tio, de igual modo, demonstrava grande insatisfação contra ele. O ambiente tornou-se contrário a Jacó, mas Deus, que tudo vê e é justo, interveio na situação. O Senhor falou com Jacó: “[...] Torna à terra dos teus pais e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31.3).

 

Certo dia, quando o sogro se afastou para tosquiar ovelhas, Jacó fugiu de Labão, com suas mulheres e seus filhos. Depois de três dias da fuga, Labão tomou conhecimento de que Jacó fugira com sua família. Revoltado, saiu em perseguição a Jacó e o encontrou na montanha de Gileade (Gn 31.22,23). Sem dúvida alguma, a intenção de Labão era de promover uma grande represália a Jacó, mas Deus interveio mais uma vez em favor do patriarca e impediu-lhe de fazer o mal (Gn 31.24-29).

 

Em seu encontro com Jacó, depois da fuga, Labão questionou o desaparecimento de seus deuses. Então, Jacó disse a Labão: “Com quem achares os teus deuses, esse não viva” (Gn 31.32). Jacó não imagina que Raquel, a esposa amada, tinha-os furtado (Gn 31.33-35). Labão era idólatra e, ao que tudo indica, tinha vários ídolos em sua casa, e sua filha Raquel seguiu o exemplo do pai. Na fuga com Jacó, ela furtou os deuses de Labão. Este se foi, porém Jacó prosseguiu sua caminhada em direção à casa de seus pais e enviou um presente para seu irmão, Esaú. Então, Esaú deslocou-se em direção a Jacó; este ficou tão temeroso de uma possível vingança que clamou a Deus dizendo: “Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disse: Torna à tua terra e à tua parentela, livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú” (Gn 32.9-11). Em seguida, enviou um grande presente para Esaú (Gn 32.14,15).

 

SINOPSE II

Deus colocou no coração de Jacó o desejo de retornar à sua terra.

 

 

III. JACÓ NO VAU DO JABOQUE

1. A angústia e o medo de Jacó.

Aquele foi um momento muito significativo na vida de Jacó. Obedecendo a voz de Deus, ele estava retornando para a sua terra com toda a sua família. No entanto, estava muito temeroso com a reação de seu irmão Esaú. Como seria o encontro entre eles? Ninguém poderia imaginar. Jacó decide enviar, por intermédio de seus servos, um presente ao seu irmão.

 

Jacó teve medo e ficou angustiado ao saber que seu irmão vinha ao seu encontro com 400 homens, um pequeno exército (Gn 32.6). Em meio às situações adversas que enfrentamos, precisamos fazer como Jacó: buscar o socorro divino elevar os olhos aos céus (Sl 121.1,2). Elevar os olhos aos céus é a atitude de quem ora a Deus e confia no seu livramento.

 

Em meio a aflição, Jacó elabora um plano: Dividir suas esposas e filhos e os que estavam com ele em dois grupos, como também os animais. Se Esaú atacasse um grupo, o outro teria a possibilidade de escapar. Vemos aqui a preocupação de Jacó em proteger sua família. Cabe ao homem, o sacerdote do lar, proteger e cuidar da segurança de sua esposa e filhos. Protegê-los com suas orações e jejuns para que Deus os livre de todo o mal. Como anda a proteção de sua família?

 

2. Jacó ficou só e lutou com o anjo.

Naquela noite, após sua família passar adiante, ele ficou só; certamente para orar a Deus e buscar seu socorro. Então lhe apareceu um homem (um anjo) que lutou com ele até o romper do dia. A luta de Jacó com o anjo durou toda a noite (Gn 32.22,23). Há momentos em que uma oração sincera basta para que Deus responda (Jr 33.3). Mas há situações que exigem perseverança: orar, interceder e jejuar, mesmo sem resposta imediata. Nessas horas, devemos agir como Jacó, que lutou em fé e declarou: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26). Vemos aqui perseverança, constância.

 

3. Jacó é transformado.

Depois daquele encontro entre Jacó e o anjo, ele não foi mais o mesmo homem. Aprendemos aqui que quem tem um encontro real com Deus não é mais o mesmo. Não podemos sair da presença do Senhor da mesma maneira. Ele nos modela, nos transforma, assim como o barro na mão do oleiro (Jr 18.1-6). Muitos dizem conhecer a Deus e serem cheios do Espírito Santo, mas os anos passam, e nunca vemos mudança em seu caráter e temperamento; logo, podemos dizer que esses ainda não experimentaram um relacionamento verdadeiro com o Eterno, pois não se deixaram transformar por sua presença.

 

SINOPSE III

Jacó ergue uma coluna em Betel e faz um voto ao Senhor.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“DEUS DE MEUS PAIS

Jacó teve medo ao se aproximar do território de Esaú, pois pensava que seu irmão ainda estivesse aborrecido, talvez violento, por causa da maneira como o havia enganado mais de vinte anos antes. Por isso Jacó orou pedindo ajuda a Deus. A sua oração é um modelo para todos os crentes em situações de risco de vida. 1) Jacó lembrou o Senhor de sua promessa de proteger aqueles que seguem os planos de Deus (v.9). 2) Agradeceu a Deus por todas as bênçãos imerecidas e pela ajuda que havia recebido (v.10). 3) Orou pedindo que Deus o livrasse da situação potencialmente perigosa (v.11). 4) Disse que a principal razão para pedir a proteção de Deus era que ele pudesse cumprir o propósito de Deus para a vida dele (v.12).” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.95).

 

CONCLUSÃO

Jacó teve muitos momentos difíceis em sua vida; no entanto, um dos piores momentos foi quando ele enganou seu pai. Esaú prometeu matá-lo, e ele teve que fugir, indo morar com seu tio, Labão. Na casa de seu tio, trabalhou muito, foi enganado e invejado. Então, o Senhor colocou em seu coração o desejo de retornar à sua terra. Mas a saída da casa de seu tio não foi nada fácil, nem foi fácil o reencontro com seu irmão Esaú.

 

Em seu retorno para casa, ele lutou com o anjo e teve seu nome mudado. Jacó, em Peniel, declarou: “Vi Deus face a face”. Seu encontro com o Senhor salvou-lhe a vida e trouxe uma grande transformação de dentro para fora.


2026 - 2º Trimestre Lição 10


 Lição 10
A experiência transformadora de Jacó
7 de junho de 2026

 



TEXTO ÁUREO

“E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito.” (Gn 28.15).

 

VERDADE PRÁTICA

Após um encontro com Deus, Jacó é transformado. Ninguém sai da presença do Senhor da mesma maneira.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 28.10-17.

10 — Partiu, pois Jacó de Berseba, e foi-se para Harã.

11 — E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs sua cabeceira, e deitou-se naquele lugar.

12 — E sonhou: e eis que era posta na terra uma escada cujo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

13 — Eis que o SENHOR estava em cima dela e disse: Eu sou o SENHOR, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. Esta terra em que estás deitado ta darei a ti e à tua semente.

14 — E a tua semente será como o pó da terra; e estender-se-á ao ocidente e ao oriente, e ao norte, e ao sul; e em ti e na tua semente serão benditas todas as famílias da terra.

15 — Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que seja feito o que te tenho dito.

16 — Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o SENHOR está neste lugar, e eu não o sabia.

17 — E, temeu e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a Casa de Deus; e esta é a porta dos céus.

 

Objetivos da Lição

I) Enfatizar que o sonho de Jacó foi o início de uma mudança profunda em sua vida;

II) Expor as descobertas de Jacó;

III) Explicar o que era a coluna de Betel.

 

INTRODUÇÃO

Na lição anterior, vimos que o relacionamento entre Esaú e Jacó era conflituoso a ponto de Esaú planejar matar Jacó depois do episódio que resultou na perda da bênção que seria sua após a morte de Isaque. Ante a ameaça de uma possível tragédia, Rebeca e Isaque aconselharam Jacó a ir embora para a casa de seu tio Labão, em Harã. Jacó tornou-se um fugitivo e saiu de casa sem levar nada, indo em direção ao deserto. Mas Deus revelou-se a ele num sonho que mudou sua vida.

 

I. UM SONHO QUE MUDOU UMA VIDA

1. Uma escada que tocava o céu.

Durante sua fuga da casa de seus pais, Jacó dormiu e teve um sonho divino. Em seu sonho, ele viu uma escada cujo topo tocava os céus. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela (Gn 28.12). A Bíblia diz que os anjos são espíritos ministradores (Hb 1.14). Eles trabalham para aqueles que confiam em Deus. Nas Escrituras Sagradas, vemos por diversas vezes o Senhor revelando sua vontade aos seus servos por intermédio de sonhos e dos anjos. No Novo Testamento, lemos que José, o esposo de Maria, teve um sonho em que um anjo lhe falou que ele não deveria deixá-la, porque o que nela foi gerado era do Espírito Santo (Mt 1.19,20). Segundo Números 12.6, o Senhor revela-se em visões e sonhos aos seus profetas. Deus desejava falar e fazer algo na vida de Jacó.

 

2. Deus apresentou-se em sonhos a Jacó.

Em seu sonho, Jacó não somente viu os anjos, mas Deus apresentou-se a ele no topo da escada. O Senhor falou com Jacó de modo semelhante com o que falara a seu pai. O Eterno fala a respeito do seu pacto com Abraão e Isaque, prometendo que daria a Jacó a terra em que ele estava deitado. Aquela terra seria de Jacó e de sua descendência. Certamente, Jacó estava temeroso ao ter que deixar sua família e seguir em direção a um lugar desconhecido; então, o Senhor, ainda em sonho, consola-o dizendo que estaria com ele e o guardaria de todo o perigo (Gn 28.13-15).

 

3. As promessas de Deus a Jacó.

Deus revelou-se a Jacó em sonhos e lhe fez promessas. Primeiro prometeu dar-lhe a terra em que ele se achava deitado, naquela noite sombria (Gn 28.13). Depois, prometeu que sua semente seria tão numerosa “como o pó da terra” e que ocuparia os quatro cantos da terra, ao ocidente, ao oriente, ao norte e ao sul. Em seguida, repetiu a promessa que fizera a Abraão e a Isaque: “E a tua semente será como o pó da terra” (Gn 28.14). Por último, prometeu-lhe que estaria com ele e o guardaria por onde quer que andasse, e que lhe faria retornar à terra onde ele encontrava-se, e não o deixaria até que cumprisse o que lhe havia dito (Gn 28.14).

 

SINOPSE I

Deus revelou-se a Jacó em sonhos iniciando um processo de transformação em sua vida.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“OS ANJOS DE DEUS

A visão dos anjos que Jacó teve sugere que eles desempenhavam importante papel ao guiar e proteger o povo de Deus. Sob o novo concerto — o plano e a promessa de Deus de salvar as pessoas do pecado por meio do sacrifício de seu Filho, Jesus Cristo — os anjos também são ativos na vida das pessoas.

Deus apareceu a Jacó com a mensagem de que a bênção prometida a seu avô, Abraão, continuaria por meio dele (cf. 12.3; 13.14-17). Esta bênção incluía a presença de Deus, a sua orientação e proteção.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.56).

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

Jacó

“Renomeado ‘Israel’ pelo Senhor (Gn 32.28), Jacó foi o filho de Isaque e Rebeca e pai de doze filhos, cujos descendentes tornaram-se as doze tribos. Metade do livro de Gênesis (Gn 25.19 — 49.33) narra a sua história e a dos seus filhos. Os capítulos intermediários de Gênesis concentram-se nas suas lutas com o seu irmão Esaú e com o seu tio Labão, e os capítulos posteriores concentram-se nos seus filhos Diná, Judá e, particularmente, José durante o tempo deste no Egito.” Amplie mais seus conhecimentos com a ajuda do Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, p.267.

 

 

II. AS DESCOBERTAS DE JACÓ

1. Jacó descobriu a presença de Deus.

Depois de despertar do seu sono, Jacó disse: “Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gn 28.16). Ele estava vivendo um dos piores momentos de sua vida, fugindo do seu lar em direção à casa de seu tio e correndo o risco de ser morto por Esaú. No entanto, é nesse momento de adversidade que Deus revelou-se e mostrou que Jacó não estava sozinho. Isso nos lembra Jó, que disse que a dor e a aflição fizeram-no conhecer a Deus de modo pessoal (Jo 42.5).

 

2. Jacó descobriu a Casa de Deus.

Jacó ficou tão impactado com seu sonho, com a revelação de Deus e sua presença naquele lugar, que exclamou com temor: “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a Casa de Deus” (Gn 28.17). Foi uma experiência extraordinária. Sozinho, em meio à escuridão, ele jamais esperaria ter um encontro tão real com Deus. O Senhor estava iniciando um processo de transformação na vida de Jacó. Haveria uma mudança de dentro para fora no patriarca.

 

3. Jacó descobriu a porta dos céus.

Sabemos que uma porta é uma abertura, através da qual temos acesso a determinado ambiente. Na Nova Aliança, conforme nos revela a Palavra de Deus, a porta de acesso aos céus é Jesus Cristo. Ele mesmo declarou: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9). Hoje não há outra maneira de chegar-se a Deus, ser transformado e santificado senão por intermédio de Jesus Cristo.

 

SINOPSE II

Depois do seu encontro transformador com Deus, Jacó fez muitas descobertas.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“JACÓ

Ele fazia tudo, o certo e o errado, com grande zelo. Ele enganou seu próprio irmão Esaú, e seu pai, Isaque. Ele lutou com Deus, e trabalhou catorze anos para se casar com a mulher que amava. Por intermédio de Jacó, aprendemos como um forte líder pode, também, ser um servo. Também vemos como ações erradas sempre voltam para nos perturbar. Depois de enganar Esaú, Jacó correu para salvar sua vida, viajando mais de 640 quilômetros até Harã, onde vivia seu tio, Labão. Pelo caminho, ele recebeu uma mensagem do Senhor, em um sonho, e deu a esse lugar o nome de Betel. Em Harã, Jacó se casou e iniciou uma família.” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p.58).

 

 

III. A COLUNA DE BETEL

1. A pedra transformada em coluna.

Cheio de fé e de entusiasmo, Jacó decidiu demonstrar sua gratidão a Deus de forma bem concreta, plena de sentido e de devoção sincera. Ele poderia ter feito somente uma oração de gratidão a Deus por tudo o que lhe proporcionara, demonstrando seu amor e seu cuidado, mas o fez de modo bem real e visível. Ele levantou-se de madrugada; tomou a pedra, que lhe servira de travesseiro e a levantou como uma coluna, que serviria de memorial ao Senhor (Gn 28.18).

Jacó derramou azeite sobre a pedra e apelidou aquele lugar, que antes se chamava Luz, de Betel, que significa “Casa de Deus”. Pela fé, Jacó viu não apenas uma coluna de pedra, mas um lugar especial de adoração ao Senhor.

 

2. O voto de gratidão a Deus (Gn 28.20-22).

Após consagrar a coluna de Betel, Jacó fez um voto a Deus, movido por um sentimento de fé e de profunda gratidão. Ele prometeu que, se Deus fosse com ele, e o guardasse na viagem, e lhe desse pão para comer e vestes para vestir, e se um dia voltasse em paz à casa de seu pai, o Senhor seria o seu Deus. Também prometeu que certamente daria o dízimo de tudo quanto Deus desse a ele (Gn 28.21,22). Ele prometeu seguir o exemplo de Melquisedeque, que deu o dízimo de tudo a Abraão depois de grande vitória sobre seus inimigos (Hb 7.1,2,4).

 

3. O concerto de Deus com Jacó.

As bênçãos do concerto eram transmitidas ao primogênito, mas com a família de Isaque seria diferente, pois Deus revelou que o filho mais velho serviria o mais novo. Já vimos que Esaú não deu importância à sua primogenitura (Gn 25.31) e, como consequência, Jacó, que realmente desejava as bênçãos, recebeu as promessas que Esaú perdera (Gn 28.13-15).

Assim como foi com os patriarcas Abraão e Isaque, o concerto com Jacó exigia obediência e fé (Rm 1.5). Sem fé ninguém pode agradar a Deus. A princípio, Jacó não demostrou confiança no Senhor, mas fez uso de sua esperteza, seu engano. Contudo, quando ele tem um encontro transformador com Deus e decide obedecê-lo, o Senhor renovou pessoalmente a ele as promessas de concerto (Gn 35.9-13).

 

SINOPSE III

Jacó ergue uma coluna em Betel e faz um voto ao Senhor.

 

CONCLUSÃO

A história de Jacó mudou completamente depois que ele teve um encontro com Deus quando caminhava em direção à casa de seu tio Labão. Em meio à noite escura, quando dormia, com a cabeça posta sobre uma pedra, solitário, teve um sonho que mudou sua vida. Deus revelou-se para ele em sonho. Aprendemos com a história de Jacó que somente o Senhor pode transformar uma pessoa e mudar sua história.


2026 - 2º Trimestre Lição 09

 

 Lição 09
Jacó e Esaú: irmãos em conflito
31 de maio de 2026


 

TEXTO ÁUREO

“[…] Duas nações estão no teu ventre, e dois povos se dividirão das suas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor.” (Gn 27.23).

 

VERDADE PRÁTICA

Os pais não devem ter preferência entre seus filhos e deve tratá-los da mesma forma.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 27.1-5,41-44.

1 — E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho! E ele lhe disse: Eis-me aqui!

2 — E ele disse: Eis que já agora estou velho e não sei o dia da minha morte.

3 — Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça,

4 — e faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma, e para que minha alma te abençoe, antes que morra.

5 — E Rebeca escutou quando Isaque falava ao seu filho Esaú; e foi-se Esaú ao campo, para apanhar caça que havia de trazer.

41 — E aborreceu Esaú a Jacó por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; então, matarei a Jacó, meu irmão.

42 — E foram denunciadas a Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; e ela enviou, e chamou a Jacó, seu filho menor, e disse-lhe: Eis que Esaú, teu irmão, se consola a teu respeito, propondo-se matar-te.

43 — Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz: levanta-te e acolhe-te a Labão, meu irmão, em Harã;

44 — e mora com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão.

 

Objetivos da Lição

I) Enfatizar que o nascimento de Esaú e Jacó foi resposta das orações de Isaque;

II) Mostrar que Esaú fez pouco de sua primogenitura e a vendeu;

III) Expor que Rebeca induziu Jacó ao pecado.

 

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que a família de Isaque estava dividida. Isaque tinha Esaú como seu filho predileto, talvez por ser o primogênito. Já Rebeca demostrava amar e identificar-se mais com Jacó, o mais moço. Tal predileção só trouxe prejuízos para a família e, principalmente, para Rebeca, que morreu sem poder ver novamente seu filho preferido. A predileção dos pais trouxe insegurança para os filhos e instalou um grande conflito em toda a família.

 

 

I- OS FILHOS DE ISAQUE

1- Isaque ora por um filho (Gn 25.21).

Como Sara, Rebeca também era estéril. Pai e filho foram igualmente provados quanto a promessa de que seriam pai de multidões. Isaque era um homem de fé e suplicou ao Senhor por um filho. Ele, assim como seu pai, tinha um relacionamento com Deus e não orava somente nos momentos de aflição e dor. Certamente, percebeu que ser pai, no seu caso, não seria algo natural, e sim uma ação extraordinária, um ato sobrenatural de Deus. Então, ele orou insistentemente, até que o Senhor decide conceder-lhe filhos, cumprindo assim, a promessa que foi feita ao seu pai e a ele. O nascimento de Esaú e Jacó foi uma resposta à oração e à fé de Isaque.

 

2- Rebeca fica grávida.

Deus atendeu às orações de Isaque, e Rebeca foi curada de sua infertilidade. Ela logo percebeu que sua gravidez era diferente, pois os bebês lutavam no seu ventre; por isso decidiu consultar ao Senhor (Gn 27.22). Então, o Eterno lhe fala: “Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor” (Gn 25.23). Não era costume o mais velho servir ao mais moço. Na cultura judaica do Antigo Testamento, o filho mais velho tinha o direito da primogenitura, a precedência sobre o mais novo. Deus, porém, é soberano e está acima dos padrões ou costumes culturais.

 

3- O nascimento dos gêmeos.

Quando Isaque tinha cerca de sessenta anos, Rebeca deu à luz dois filhos gêmeos (Gn 25.26). Sua gravidez foi uma bênção divina e um evento singular, pois é a primeira vez na Bíblia em que se registra uma gestação e um parto múltiplo. O primeiro bebê a nascer recebeu o nome de Esaú, que significa “peludo”. Segundo o costume, ele teria o direito à primogenitura. O segundo filho nasceu agarrado ao calcanhar do seu irmão, ao qual foi dado o nome de Jacó, que significa “aquele que segura pelo calcanhar” (Gn 25.24-26).

 

SINOPSE I

Deus ouve e responde as orações de Isaque e lhe concede dois filhos.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“HOMENS QUE CONQUISTARAM O RESPEITO

Abraão, Isaque e Jacó estão entre as mais importantes pessoas do Antigo Testamento. Isto não se deve ao seu caráter pessoal, mas ao caráter de Deus. Eles foram homens que conquistaram o respeito relutante e até mesmo o medo de seus colegas. Eram ricos e poderosos, e ainda assim, os três foram capazes de mentir, enganar e agir com egoísmo. Eles não eram os heróis perfeitos que poderíamos ter esperado; em vez disso, eram exatamente como nós; tentavam agradar a Deus, mas não conseguiram. O sucesso dos planos de Jacó aconteceu, apesar da vida de Jacó, e não devido à vida dele. Antes do nascimento de Jacó, Deus prometeu que seu plano seria realizado por intermédio de Jacó, e não de seu irmão gêmeo, Esaú. Embora os métodos de Jacó nem sempre fossem respeitáveis, sua habilidade, determinação paciência têm que ser admiradas.” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p.56).

 

II- ESAÚ VENDE SUA PRIMOGENITURA

1- Preferências entre filhos.

A predileção dos pais traz sérios prejuízos emocionais para os filhos e à família de um modo geral. Isaque gostava mais de caça e, talvez, por isso amasse mais a Esaú, que era caçador e seu primogênito. Rebeca amava mais a Jacó, que era mais caseiro e gostava de cozinhar. A atitude de Isaque e Rebeca em relação aos filhos não foi correta. Os pais podem ter mais afinidade com um filho, mas devem demonstrar amor e respeito por todos. A preferência por um dos filhos causa ciúmes, divisão, problemas com a autoestima e disfunção familiar.

 

2- O valor da primogenitura.

Nos tempos do Antigo Testamento, o filho primogênito desfrutava de direitos que os outros não tinham. Não podemos nos esquecer de que Deus requereu os primogênitos para si quando mandou uma das pragas no Egito. Era um direito do primogênito exercer a liderança espiritual e familiar. Ele também recebia uma porção dupla da herança (Dt 21.17).

 

3- Esaú vende seu direito à primogenitura.

Jacó preparou espertamente um prato saboroso. Quando seu irmão chega exausto do campo, pede que lhe deixe comer. Então, Jacó diz que ele só poderia comer do ensopado se lhe vendesse sua primogenitura. Esaú, com muita fome, não hesita em vender seu direito. Vender o direito de primogenitura por um prato de ensopado demostrou quão pouco ele valorizava esse direito — na verdade, uma bênção de Deus que garantia as promessas do concerto do Senhor com Abraão. Tudo indica que Esaú não tinha consciência do valor da sua primogenitura; ele não a valorizou em termos espirituais e familiares. Agiu de modo imediatista, desprezando um direito que fora estabelecido por Deus. Esaú agiu de modo insensato e preferiu trocar benefícios futuros e duradouros por prazeres momentâneos (v.34; cf. Hb 12.16). No entanto, Jacó reconhecia o valor das bênçãos espirituais que faziam parte do concerto de Deus. Por isso, as doze tribos de Israel vieram da família de Jacó. Deus já havia prometido que o menor serviria ao maior, mas Jacó usou de esperteza e, depois, de engano para conseguir sua bênção, mostrando que todos cometeram erros graves em sua família. Aprendemos que não existe família perfeita, mas isso não invalida a bênção e o propósito do Senhor para as famílias.

 

SINOPSE II

Esaú não valorizou sua primogenitura e, por isso, vendeu-a por um prato de comida.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“PRIMOGÊNITO

O primeiro filho nascido de um casal. No AT, refere-se mais comumente ao primeiro filho do sexo masculino, a quem eram concedidos privilégios especiais. O AT descreve alguns dos privilégios associados a ser o filho primogênito: ele receberia a porção dobrada da herança (privilégio codificado na Lei em Dt 21.17), a bênção paterna (Gn 27; 48.17-19) e outros exemplos de favoritismo (e.g., Gn 43.33). A importância atribuída ao primogênito também é atestada na exigência legislativa de que o primogênito — pessoas, animais e produtos — pertença a Jeová (Lv 27.26; Dt 15.19; e acerca de pessoas, veja Nm 3.12,13), enfatizando, assim, a sua primazia sobre Israel. A linguagem ‘primogênito’ também é usada figurativamente no AT. É usada para indicar Israel como o primogênito de Jeová em Êxodo 4.22,23, onde o fato de Faraó não ter libertado os primogênitos, destacando o favor especial que Ele desfrutaria. A linguagem ‘primogênito’ também pode ser usada figurativamente para descrever qualquer coisa que receba uma parte maior, como ‘o primogênito da morte’ em Jó 18.13 e ‘os primogênitos dos pobres’ em Isaías 14.30. Um tanto quanto surpreendente, o Senhor não adere ao significado de primogenitura, pois muitas vezes concede o seu favor a quem não era primogênito: Abel acima de Caim, Isaque acima de Ismael, Jacó acima de Esaú, José e Judá acima de Rúben, Efraim acima de Manassés, Moisés acima de Arão, Davi acima dos seus irmãos e Salomão acima de Adonias. O NT pressupõe um conhecimento do significado de primogênito. Jesus é especificamente identificado como o primogênito de Maria (Lc 2.7,23). A descrição, no entanto, vai além de meras noções de primogenitura humana, quando Jesus é descrito como ‘o primogênito de toda a criação’ (Cl 1.15) e ‘o primogênito dentre os mortos’ (Cl 1.18; cf. Ap 1.5). Essas expressões, em consonância com o uso figurado da linguagem ‘primogênito’ no AT, expressam o lugar privilegiado de Jesus tanto na criação quanto na nova criação.” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, pp.403,404).

 

 

III- REBECA INDUZ JACÓ AO PECADO

1- Isaque manda Esaú preparar um guisado.

Isaque já estava com a idade avançada e não enxergava mais direito; ele sabia que morreria em breve. Então, ele pede a Esaú, seu filho querido, que lhe prepare uma comida saborosa. Depois de comer, Isaque pretendia abençoar Esaú antes de sua morte, pois não queria perder mais tempo. Rebeca escuta a conversa do pai com o filho e elabora um plano mentiroso para que seu filho amado recebesse a bênção do pai no lugar do irmão. Rebeca não teve nenhum pudor em induzir o filho a mentir e enganar o próprio marido e pai dos seus filhos. Ela pagou um preço muito alto por sua atitude, pois seu filho teve que fugir de sua casa e ela nunca mais o veria novamente.

 

2- O plano de Rebeca.

Rebeca arquitetou um plano desonesto para mudar a situação. Com astúcia, ela chamou Jacó e lhe disse que ouvira seu pai pedir a Esaú que fizesse um guisado saboroso para que ele comesse e o abençoasse. Rebeca pede a Jacó que ele vá buscar dois bons cabritos e diz que ela vai fazer deles um guisado saboroso para o esposo, como ele gostava. Diz a Jacó que ele teria somente que levá-lo até seu pai. Então, Jacó diz a sua mãe que o plano não daria certo porque seu irmão Esaú era peludo, e ele, liso. Ele sabia que seu pai iria apalpá-lo e que enganá-lo não seria tão fácil. A princípio, Jacó resistiu ao mau conselho de sua mãe, mas acabou cedendo ao seu plano carnal, que haveria de trazer tantas consequências más para si e para sua família. Isaque foi enganado e abençoou a Jacó. Mas trama enganosa foi descoberta (Gn 27.31-38). Esaú ficou revoltado e angustiado a ponto de querer matar Jacó (vv.41-45). Esse triste episódio nos mostra que a predileção, a mentira e o engano prejudicam o relacionamento familiar.

 

3- As consequências dos atos de Jacó.

O Senhor já havia dito que Esaú serviria a Jacó; no entanto, Jacó não confiou plenamente em Deus nem esperou o tempo certo para o cumprimento da promessa. Movido pela ansiedade e pela influência materna, preferiu agir por conta própria e recorrer à mentira. Sua atitude lembrou a precipitação de Sara, quando tentou “ajudar” o plano divino ao entregar Agar a Abraão. Assim como no caso de Sara, a falta de confiança trouxe consequências dolorosas que marcaram sua história. O filho de Isaque enfrentou uma dificuldade após outra, até que, por fim, admitiu: “[…] poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida” (Gn 47.9).

 

SINOPSE III

Rebeca, como mãe, agiu errado ao induzir o filho a enganar o pai para requerer a bênção que Deus já havia prometido lhe conceder.

 

CONCLUSÃO

Vimos que Esaú desprezou o seu direito de primogenitura e sofreu consequências desastrosas. Também aprendemos que a predileção de Isaque e Rebeca pelos filhos também trouxe consequências danosas para toda a família, assim como o plano mentiroso de Rebeca. Também estudamos a respeito do fato de Jacó não ter confiado e esperado o agir de Deus na sua vida, tendo usado de engano para com seu pai e seu irmão. Jacó passou muitos anos de sua vida sendo enganado até que teve um verdadeiro encontro com Deus e sua vida foi mudada.


Hernandes D. Lopes - Jó

Wayne Gruden