O Deus Espírito Santo
TEXTO ÁUREO
“E
eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco
para sempre. ” (Jo 14.16)
VERDADE PRÁTICA
O
Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, plenamente Divino, atuando como
Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 14.25-31
25
– Tenho-vos dito isso, estando convosco.
26
– Mas aquele Consolador, O Espírito Santo, que O Pai enviará em meu nome, vos
ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
27
– Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se
turbe o vosso coração, nem se atemorize.
28
– Ouvistes o que eu vos disse: vou e venho para vós. Se me amasseis,
certamente, exultaríeis por ter dito: vou para o Pai, porque o Pai é maior do
que eu.
29
– Eu vou lhe disse, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós
acrediteis.
30
– Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo e
nada tem em mim.
31
– Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me
mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.
Objetivos da Lição
I)
Mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, distinta, mas coigual ao Pai e ao
Filho;
II)
Evidenciar a plena divindade do Espírito Santo e seus atributos;
III)
Ressaltar as principais obras do Espírito Santo: encarnação, ressurreição e
santificação.
INTRODUÇÃO
O
Espírito Santo é uma Pessoa divina, não uma força impessoal ou uma mera
influência espiritual. Ele é o Consolador prometido que procede do Pai e do
Filho (Jo 14.25-31). Ele é plenamente Deus — a Terceira Pessoa da Santíssima
Trindade. Esta lição discorre acerca da Pneumatologia com base bíblica e
teológica, evidenciando a Pessoa do Espírito Santo, sua eterna divindade e suas
obras maravilhosas.
I – A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
1- O Espírito Santo é uma Pessoa.
O
Espírito não é uma força impessoal, uma energia ou uma influência, mas o
próprio Deus. Ele é a Terceira Pessoa da Trindade. Ele age com autonomia,
exercendo funções próprias de uma Pessoa. Ele tem propósito, mente e
consciência, que comprova sua racionalidade (Rm 8.27). Ele pode ser
entristecido, o que envolve sensibilidade e emoções (Ef 4.30). Ele ensina e faz
lembrar, o que demonstra inteligência e comunicação consciente (Jo 14.26). Ele
guia os crentes, função que exige entendimento e relacionamento (Jo 16.13). Ele
distribui os dons soberanamente, o que confirma sua vontade em ação (1 Co
12.11). Ele fala com clareza, chama pessoas e designa tarefas, que são ações de
uma Pessoa divina (At 13-2). Negar sua Pessoa é mutilar a Trindade.
2- Pessoa distinta na Trindade.
A
doutrina da Trindade afirma que Deus é um só em essência, mas subsiste em três
Pessoas distintas (l Pe 1.2). Embora o Espírito Santo compartilhe da mesma
natureza divina do Pai e do Filho, sendo plenamente Deus, Ele é uma Pessoa
distinta dentro da unidade da Trindade (Tt 3.5). Essa distinção do Espírito
Santo é essencial para refutar heresias, como o modalismo que ensina que Pai,
Filho e Espírito são apenas “ modos” sucessivos de uma única Pessoa divina. E o
arianismo, que negava a divindade do Filho e do Espírito; e os pneumatômacos
que negavam a deidade. Porém, as Escrituras ensinam que o Espírito é enviado
pelo Pai e em nome do Filho, evidenciando seu papel distinto e sua missão
específica (Jo 14.26). Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho,
mas plenamente Deus (1 Co 2.10,11).
3- O Consolador prometido.
Jesus
prometeu aos discípulos um divino companheiro: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos
dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). A
palavra “Consolador” é tradução do grego paráklêtos, que significa “aquele que
encoraja e conforta”; e, “Ajudador”, que auxilia na necessidade; e, ainda
“Advogado”, que intercede ou defende alguém perante uma autoridade. O vocábulo
paráklêtos aparece cinco vezes nos escritos de João, referindo-se tanto ao
Espírito Santo como a Cristo (Jo 14.16, 26; 15.26; 16.7; 1 Jo 2.1). Nesse
contexto, o Espírito Santo é chamado de “outro Consolador”, isto é, alguém da
mesma natureza que Jesus. O Espírito Santo, portanto, não é inferior ao Filho,
mas assume 0 papel da presença permanente de Deus na vida dos crentes.
SINOPSE I
O
Espírito Santo é uma Pessoa, distinta do Pai e do Filho, mas plenamente divina.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
“COMO CONSOLADOR
Conforme
observado no estudo dos títulos do Espírito Santo, eles nos oferecem chaves
para entendermos a sua pessoa e obra. A obra do Espírito Santo como Consolador
inclui o seu papel como Espírito da Verdade que habita em nós (Jo 14.16;
15.26), como Ensinador de todas as coisas, como aquEle que nos faz lembrar tudo
o que Cristo tem dito (14.26), como aquEle que dará testemunho de Cristo
(15.26) e como aquEle que convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo
(16.8). Não se pode subestimar a importância dessas tarefas. O Espírito Santo,
dentro de nós, começa a esclarecer as crenças incompletas e errôneas sobre
Deus, sua obra, seus propósitos, sua Palavra, mundo, crenças estas que trazemos
conosco ao iniciarmos nosso relacionamento com Deus. Conforme as palavras de
Paulo, é uma obra vitalícia, jamais completada neste lado da eternidade (1 Co
13.12). Claro está que a obra do Espírito Santo é mais que nos consolar em
nossas tristezas; Ele também nos leva à vitória sobre o pecado e sobre a
tristeza. O Espírito Santo habita em nós para completar a transformação que
iniciou no momento de nossa salvação. Jesus veio para nos salvar dos nossos
pecados, e não dentro deles. Ele veio não somente para nos salvar do inferno no
além. […] Jesus trabalha para realizar essa obra por intermédio do Espírito
Santo” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp. 397 – 98)
II – A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
1- O debate “Filioque”.
A
expressão latina filioque significa “e do Filho”, foi inserida no Credo
Niceno-Constantinopolitano para reafirmar o ensino bíblico que o Espírito
procede do Pai e do Filho: “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome”
(Jo 15.26 – NAA); “ se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é
dele” (Rm 8.9); “ Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho”
(G14.6). Esse debate ocorreu no séc. IV em virtude das heresias do arianismo e
dos pneumatômacos. Em 381, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo
possuem a mesma essência divina, a igreja aprovou o Credo que ratificava as
Escrituras e professava a fé: “ no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e
procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.
2- Os atributos divinos do Espírito.
Todos
os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o
Espírito Santo, tais como: Onipotência, o Consolador tem pleno poder sobre
todas as coisas (Lc 1.15; Rm 15.19). Onisciência, não existe nada além de seu
conhecimento (At 5 3 ,4 ; 1 Co 2.10,11). Onipresença, não há lugar algum onde
se possa fugir da sua presença (SI 139.7- 10). Eternidade, Ele não passou a
existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn 1.1,2; Hb
9.14)- Esses atributos absolutos são exclusivos da divindade. Tais virtudes
são, de modo inequívoco, evidências da deidade do Espírito Santo. Essas
características lhe são inerentes, não lhe foram agregadas nem conferidas. A
Terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.
3- Os símbolos do Espírito.
Os
principais símbolos representativos do Espírito Santo são: Fogo, utilizado para
retratar o batismo no Espírito (At 2.3), simboliza pureza, a presença e o poder
de Deus. Água, o Espírito flui da Palavra como águas vivas que refrigera o
crente e o revestem de poder (Jo 7.37 – 39). Vento, se refere à natureza
invisível do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes é representado pelo som como de
um vento (At 2.2). Óleo, usado para a luz e a unção, simboliza a consagração do
crente para o serviço, e a iluminação para o entendimento das Escrituras (2 Co
1.21,22; 1 Jo 2.20,27). Pomba, o Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba
(Mt 3.16), é símbolo da paz e da mansidão. Cada símbolo atua como figuras para
a compreensão do caráter e da atuação do Espírito.
SINOPSE II
A
divindade do Espírito é confirmada por seus atributos e símbolos revelados na
Bíblia.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
“SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
Os
símbolos oferecem quadros concretos de coisas abstratas, tais como a terceira
Pessoa da Trindade. Os símbolos do Espírito Santo também são arquétipos. Em
literatura, arquétipo é uma personagem, tema ou símbolo comum a várias culturas
e épocas. Em todos os lugares, o vento representa forças poderosas, porém
invisíveis; a água límpida que flui representa o poder e refrigério sustentador
da vida a todos os que têm sede, física ou espiritual; o fogo representa uma
força purificadora (como na purificação de minérios) ou destruidora
(frequentemente citada no juízo). Tais símbolos representam realidades
intangíveis, porém genuínas. Vento. A palavra hebraica ruach tem amplo alcance
semântico. Pode significar ‘sopro’, ‘espírito’ ou ‘vento’. É empregada em
paralelo com nephesh. O significado básico de nephesh é ‘ser vivente’ , ou
seja, tudo que tem fôlego. A partir daí, seu alcance semântico desenvolve-se ao
ponto de referir-se a quase todos os aspectos emocionais e espirituais do ser
humano vivente” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma
Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.387- 88).
III – AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO
1- O Espírito Santo e a Encarnação.
A
encarnação do Filho de Deus revela o papel do Espírito como o agente divino na
concepção de Jesus: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do
Altíssimo te cobrirá […] o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de
Deus” (Lc 1.35). O Espírito Santo, em união com o poder do Pai, atua de modo
sobrenatural no ventre de Maria. Embora Jesus tenha sido concebido pelo
Espírito (Mt 1.18), Ele é Filho do Pai, pois foi gerado na eternidade (Mq 5.2;
Jo 1.1). O evento é uma ação trinitária: o Pai envia o Filho (Gl 4.4); o Filho
assume a forma humana (Fp 2.7); e o Espírito realiza o milagre da concepção (Mt
1.20). A divindade do Espírito é confirmada por sua participação direta na
encarnação do Verbo, uma obra que somente Deus poderia realizar.
2- O Espírito Santo e a ressurreição.
A
vida e o poder sobre a morte são atribuições exclusivas de Deus (Jo 5.21).
Nesse sentido, a ressurreição de Cristo é uma obra da Trindade: o Pai
ressuscitou o Filho (At 2.24), o Filho declarou possuir poder para dar a sua
vida e retomá-la, Ele próprio é a ressurreição (Jo 10.18; 11.25); e o Espírito
Santo é o agente vivificador: “E, se o Espírito daquele que dos mortos
ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo
também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita”
(Rm 8.11). Paulo atribui ao Espírito Santo a ação direta na ressurreição, e
afirma que esse mesmo Espírito habita nos crentes, garantindo-lhes a
ressurreição final, uma ação que apenas Deus é capaz de executar (Ef 1.13,14)-
A atuação do Espírito nessa obra comprova sua plena divindade.
3- O Espírito Santo e a Santificação.
O
Espírito não apenas nos convence do pecado (Jo 16.8), mas também promove
transformação (2 Co 3.18). Deus nos escolheu para vivermos em santidade (Ef
1.4; 2 Ts 2.13). A santificação possui duas dimensões: uma posicionai, no
momento da conversão (l Co 6.11), e outra progressiva, como processo contínuo
de transformação (Hb 12.14). O Espírito Santo habita no crente desde a
regeneração até a glorificação, conduzindo-o em santidade. Porém, requer a
cooperação do crente. Paulo exorta: “ andai em Espírito” (G1 516), e adverte:
“não entristeçais o Espírito” (Ef. 4.30). No entanto, não é resultado exclusivo
do esforço humano, mas uma ação permanente do Espírito (1 Pe 1.2). Essa ação
atesta a deidade do Espírito, pois apenas Deus pode transformar o coração
humano (Ez 36.26).
SINOPSE III
As
obras do Espírito Santo — encarnação, ressurreição e santificação — revelam seu
poder e atuação contínua na vida da Igreja.
CONCLUSÃO
Compreender
a divindade do Espírito Santo fortalece nossa fé na Trindade. O Espírito é
distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Como
Consolador, Ele continua a obra de Cristo, e habita na vida dos crentes. Sua
presença é viva e transformadora, indispensável na edificação, ensino, e missão
da Igreja. Que todos nós vivamos guiados pelo Espírito, até que Cristo volte.



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