A impaciência na espera do cumprimento da promessa
19 de abril de 2026
TEXTO ÁUREO
“E
disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à
minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Gn
16.2).
VERDADE PRÁTICA
A
impaciência é antagônica a fé, por isso não devemos ser dominados por ela. Deus
é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 16.1-16.
1
— Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva
egípcia, cujo nome era Agar.
2
— E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar; entra,
pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de
Sarai.
3
— Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por
mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de
Canaã.
4
— E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua
senhora desprezada aos seus olhos.
5
— Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em
teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O
SENHOR julgue entre mim e ti.
6
— E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom
é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face.
7
— E o Anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à
fonte no caminho de Sur.
8
— E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse:
Venho fugida da face de Sarai, minha senhora.
9
— Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora e humilha-te
debaixo de suas mãos.
10
— Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente,
que não será contada, por numerosa que será.
11
— Disse-lhe também o Anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e
chamarás o seu nome Ismael, porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.
12
— E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos,
contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.
13
— E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus da vista,
porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?
14
— Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e
Berede.
15
— E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera
Agar, Ismael.
16
— E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu Ismael a Abrão.
Objetivos da Lição
I)
Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a Deus;
II)
Explicar as consequências de agir por conta própria;
III)
Encorajar os alunos a permanecerem firmes no Deus que conduz a história.
INTRODUÇÃO
Deus
fez uma promessa a Abrão, mas o tempo passou, e parecia que ela jamais seria
cumprida. Abrão já estava com 85 anos, e sua esposa também já era bem idosa.
Então, Sarai foi dominada pela impaciência e desejou agir por conta própria.
Ela decidiu entregar sua serva a Abrão para que tivesse filhos com ela. Ao que
tudo indica, o pai da fé e amigo de Deus não consultou ao Senhor, mas deixou-se
levar pela impaciência de sua esposa. Todos que são dominados pela impaciência
sofrem consequências ruins, e com Abrão e Sarai não foi diferente. Nesta lição,
meditaremos sobre a sabedoria divina de aguardar com perseverança o cumprimento
da promessa de Deus dirigida ao seu povo.
I- O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS
1- O plano para “ajudar” a Deus.
Quando
Abrão questionou ao Senhor, dizendo que seu herdeiro provavelmente seria o
damasceno Eliézer, seu mordomo, o Senhor lhe assegurou que tal não aconteceria.
O herdeiro seria um filho seu, de suas “entranhas”, ou seja, um filho natural,
nascido do ventre de Sarai (Gn 15.2-4). Mas o tempo passava, os anos
seguiam-se, e a promessa não se cumpria. Então, sua esposa, observando as
circunstâncias desfavoráveis — a idade avançada do esposo e dela e a sua
esterilidade — pensou em uma solução humana, na verdade, um atalho para ver a
promessa de Deus sendo cumprida. Assim, Sarai sugeriu que Abrão se unisse a
Agar, sua serva egípcia, para que dela viesse um filho (Gn 16.1,2). A
impaciência tornou-se maior que a fé de Abrão e Sarai. O que eles não
perceberam é que muitas vezes o Senhor usa o tempo, a espera, para forjar o
nosso caráter.
2- Abrão aceita o plano de Sarai.
Abrão
estava sendo pressionado. Era a coação da esposa e do tempo, e acabou aceitando
a tentativa de Sarai em querer “ajudar” ao Senhor. Quando deixamos que a
ansiedade e a impaciência tomem o primeiro lugar em nosso coração, a nossa fé
sucumbe e acabamos cometendo muitos erros. Temos de seguir o conselho do
salmista, que afirma que esperou com paciência no Senhor (Sl 40.1).
3- Agar zomba de Sarai.
Agar
também aceitou prontamente a proposta de Sarai e certamente se sentiu muito
honrada. Então, Abrão tomou sua serva, e ela engravidou. Parecia, naquele
momento, que o plano era perfeito e tudo ficaria bem. Porém, não demorou muito
para Agar se levantar contra sua senhora, zombando dela e menosprezando-a (Gn
16.4,5). O erro de Sarai trouxe para o seu lar o desprezo, a zombaria e,
certamente, a tristeza e a dor.
SINOPSE I
Abrão
e Sarai tentaram ajudar a Deus, pois se deixaram vencer pela ansiedade.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
“RECONHECENDO AS PROMESSAS DE DEUS
Para
podermos depositar nossa fé nas promessas de Deus é necessário, primeiramente,
sabermos o que é e o que não é uma promessa de Deus na Bíblia. Obviamente, se
aplicarmos como promessa um versículo que, de fato, não é nenhuma promessa,
então nossa fé estará deslocada e ficaremos desiludidos quando não virmos os
resultados que esperamos. Entretanto, não ficaremos desapontados com a Palavra
de Deus se a interpretarmos corretamente (2Tm 2.15) e aplicarmos apenas os
versículos que se constituem em promessa para nós hoje. Promessas feitas a
indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de ser válidas para
todos os crentes. Um exemplo disso é Gênesis 12.2. Essa promessa foi feita
apenas a Abraão, e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje não
devem considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles […].” (RHODES, R.
Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.19,20).
II- AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA
1- Conflito familiar.
Não
tardou para as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestarem. As
primeiras foram a competição e a soberba. Agar, a serva egípcia, comportou-se
como uma competidora fria e ingrata. Em sua altivez, ela passou a desprezar sua
senhora, causando-lhe mal-estar e trazendo confusão para o clã (Gn 16.4-6).
2- A fuga de Agar.
Agar
não se considerava mais serva de Sarai, mas tornou-se sua adversária. Diante da
confusão, Sarai cobra de Abrão uma resposta imediata. Então, o patriarca
responde: “E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o
que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face” (Gn
16.6). Agar e Sarai agiram erradamente e sem nenhum sentimento uma pela outra.
Podemos imaginar a triste situação de Agar, grávida pela primeira vez, sem
experiência, sem comida, sem água, solitária e errante pelo deserto.
3- Deus entra em ação.
Deus
é justo, fiel e amoroso. Ele ouve, vê e responde ao aflito. O Senhor ama a
justiça e aborrece a iniquidade (Sl 45.7). Depois que Sarai afligiu Agar, esta
fugiu e foi encontrada pelo Anjo do Senhor no deserto, junto a uma fonte. Em
seguida, Ele lhe perguntou: “Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde
vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora” (Gn 16.7,8).
Então, o anjo lhe falou: “Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de
suas mãos” (v.9). Às vezes, é preciso retornar ao lugar de onde saímos, nos
humilhar, pedir perdão e esperar que Deus venha agir em nosso favor. O Senhor
tinha uma promessa para Abrão, mas Ele não desamparou a serva, que estava em
uma situação de vulnerabilidade. O Eterno e justo não age como os homens. Havia
também uma promessa para Agar, mas ela precisaria retornar e humilhar-se
perante sua senhora (Gn 16.10-12).
SINOPSE II
O
agir por conta própria tem consequências ruins; por isso, espere em Deus.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR
Era
costume entre os povos da Mesopotâmia que a esposa incapaz de conceber filhos
obrigasse sua serva a gerar filhos por ela. Os filhos pertenceriam à esposa.
(1)
Não obstante ao costume, não era dessa maneira que Deus pretendia dar a Abrão e
Sarai uma família (cf. 2.24).
(2)
O Novo Testamento equipara o filho de Agar a fruto de esforço humano — “segundo
a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Em outras palavras, somente
podemos cumprir os propósitos de Deus se fizermos as coisas à maneira dEle —
pelo poder do seu Espírito e pela oração.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para
Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.20).
III- O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA
1- O Deus que ouve e vê.
Na
solene promessa a Agar, o anjo declarou que o menino deveria ter o nome de
Ismael, nome dado por Deus. Que privilégio! O significado do nome Ismael é
“Deus ouviu”. Agar parecia abandonada e perdida (Gn 16.7-11). Mas Deus se fez
presente no deserto, viu e ouviu a sua dor. O Eterno agiu em seu favor, e não
só em favor de Sarai e Abrão, seu servo. O Todo-Poderoso honrou aquele filho,
que não era o “da promessa”, mas era filho do amigo de Deus e pai da fé.
2- Tudo conforme a sua soberana vontade.
Nos
tempos de Abrão, era comum os homens serem pai mesmo em idade avançada. Ele
teve o seu primeiro filho com Agar quando já tinha 86 anos de idade (Gn 16.16).
Para ele deve ter sido uma experiência muito impactante. E, em obediência ao
que lhe dissera o anjo, deu-lhe o nome de Ismael. Mas aquele não era o filho
que Deus lhe prometera. Ismael era o resultado de um plano traçado entre Sarai
e Abrão e que envolvia sua serva egípcia, Agar. No entanto, nada foge aos
cuidados de Deus. Conforme o anjo falou para Agar, Deus fez de Ismael uma
grande nação. Aprendemos por intermédio da vida do patriarca Abrão que Deus
governa a história, pois Ele é soberano, e os eventos acontecem da maneira como
Ele permite. Contudo, Ele intervém diretamente para realizar os seus propósitos,
como fez com Agar. O Senhor já havia determinado o momento em que o filho da
promessa, Isaque, viria ao mundo. Abrão e Sarai não poderiam fazer nada em
relação a isso, mas somente aguardar o momento certo de Deus em suas vidas.
3- O cuidado de Deus em todo o tempo.
Quando
Sarai tratou severamente Agar, esta fugiu pelo deserto (Gn 16.6). A cena
desperta compaixão: quem ajudaria uma serva estrangeira e sozinha? Contudo,
Deus se revelou a Agar, mostrando que nenhum coração aflito passa despercebido
aos seus olhos e que o Senhor vela pelos que sofrem. Ele responde e cuida de
nós em tempos difíceis e nas aflições quando ninguém mais vê o que nos aflige.
Nos momentos difíceis que Abrão, Sarai e Agar estavam enfrentando e que em
nossa jornada nós também passamos, precisamos orar e confiar em Deus,
experimentando da sua paz (Fp 4.6,7), obtendo da sua força (Ef 3.16; Fp 4.13) e
recebendo a sua misericórdia, graça e ajuda. O Deus soberano, em seu infinito
amor, há de nos acolher!
SINOPSE III
Deus
é soberano e Ele conduz a história.
CONCLUSÃO
Os
anos passavam, e Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora no
cumprimento das promessas de Deus. Sarai, olhando para sua esterilidade,
acreditou que poderia “ajudar” a Deus e sugeriu que seu esposo tomasse sua
serva, Agar, uma egípcia, a fim de ter filho com ela. Mesmo sendo um homem de
fé, Abrão aceitou participar do plano de sua esposa. E o “plano” humano deu
certo. Abrão uniu-se a Agar e tiveram um filho, Ismael. Vimos que as
consequências não tardaram e não foram boas. Essa parte da história de Abrão é
marcada por erros. O patriarca, sua esposa e sua serva erram, pois Deus não
precisa de atalho ou da ajuda humana para que seus planos se cumpram. Ele é o
Senhor que governa a história e como afirmou o profeta Isaías: “Ainda antes que
houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos;
operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13)



Nenhum comentário:
Postar um comentário